segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Eis-me aqui

Um dia lendo aquele versículo na Bíblia que diz: “Como ouvirão se não há quem pregue?” eu imitei Isaías e disse: “eis-me aqui”... Eu tinha uns 13 anos na época e mesmo falando com sinceridade eu não sabia como aquelas palavras iriam influenciar minha caminhada com Deus.

Os anos foram passando e constantemente essas palavras voltavam em minha lembrança. Eu percebi que não poderia fazer minhas escolhas só por fazer, pois eu tenho um Senhor e é Ele que eu quero agradar. Eu entendi que não vivo pra mim mesma...

Eu não tenho riquezas, nem tenho resposta para todas as possíveis indagações e ainda sou cheia falhas… Sou tão limitada que acho incrível Deus confiar algo a mim. Que responsabilidade, né? E fui eu que disse “eis-me aqui” (Que ousada! hahaha) e quer saber? Foi a melhor decisão que tive!

Eu tenho Cristo, Ele é suficiente e estou caminhando pra vida eterna ao Seu lado. Realmente eu sou muito limitada, mas a proposta é que eu viva confiando no poder do Espírito Santo e não no meu. Ufa! Nele eu posso todas as coisas. Mesmo eu tendo dito eis-me aqui pra Deus, na verdade quem faz a parte pesada é Ele, eu sou apenas uma serva. É fácil viver pela fé? Não, não mesmo! Mas é a aventura mais incrível e gratificante que podemos ter na vida.

A nossa vontade pode parecer boa e agradável aos nossos olhos, mas está longe de ser perfeita; agora quando seguimos a vontade de Deus experimentamos o que é bom, perfeito e agradável. Investimos em algo eterno. É isso que eu quero viver! 

E você, quer viver só na parte rasa ou vai mergulhar na vontade de Deus pra sua vida?


Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: "Como são belos os pés dos que anunciam boas novas!”
(Romanos 10: 14 e 15)

Então ouvi a voz do Senhor, conclamando: "Quem enviarei? Quem irá por nós?" E eu respondi: "Eis-me aqui. Envia-me!”
(Isaías 6:8)
 

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Caminhando, indo, crescendo...

Deus é o Senhor,
Nós somos os servos.
Ele, em Cristo, fez-se servo
Para nos ensinar, sendo o exemplo.  


Pois o Bom Mestre não diz apenas: “faz”! 

Fazendo,

Ele nos ensinou como fazer. 

Somos discípulos
Ainda na fase do aprendizado… 


Nosso foco não está no que vamos viver,
Mas no que estamos vivendo hoje.
O caminho é essencial no aprendizado,
Em cada etapa somos transformados,
A cada dia somos moldados, podados.  


Não existe nova criatura sem mudança, 

Não existe crescimento sem mudança.
Mudar, crescer, transformar…
É um processo contínuo e necessário.   


Ser podado é meio dolorido,
Mas é preciso para um bom crescimento
E para darmos fruto.  

Estamos enxertados na Videira Verdadeira, 

Sozinhos nada fazemos. 


Voltemos ao início…
Ele continua sendo Deus, o Senhor.
Ele não mudou e não mudará. 

Somos nós que precisamos ser moldados
Para estarmos no centro de Sua vontade.  


Somos amigos de Cristo

Mas também continuamos servos,
Nosso ofício é servir.
Sim, servir.
E da melhor forma que nos for possível. 


Com um coração disposto, 

Movidos por gratidão
E guiados pelo amor.
O mesmo amor que um dia mudou a nossa mente
E até hoje está a nos transformar. 


Mostrar a outra face
(Quase) sempre será difícil,
Mas se não for pra ser “diferente”
Pra que seguimos Cristo? 


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Ainda nos falta uma coisa

Se você é missionário você precisa passar fome, frio, sofrer por Cristo... Quem nunca ouviu essas frases? Essas afirmativas tendenciosas me soam um tanto quanto mentirosas... 


O chamado missionário é pra viver em comunidade, igual a todos de sua comunidade. O missionário não tem que ser o único a passar fome em um lugar de fartura e de igual modo o missionário não será rico vivendo em uma região de pobreza, materialmente falando, o missionário é igual a todos os demais e por isso está propenso as mesma dificuldades locais. A luta do cristão nunca foi no campo material e por isso a igreja precisa estar junto do missionário; a batalha espiritual é muito desgastante, não podemos deixar um missionário lutando sozinho e não podemos também acrescentar “lutas extras” por não fornecermos apoio como igreja. 


O missionário não precisa passar fome, frio, ficar doente, dentre outras coisas... mas precisa estar disposto a passar por situações difíceis, se preciso for, para que o nome de Cristo em tudo seja sempre engrandecido. Na verdade, isso nem é um privilégio do missionário, apesar de no mesmo isso ser mais evidenciado; buscar em primeiro lugar o Reino de Deus implica em renúncias e isso é necessário para todo cristão. 


Somos a noiva de Cristo e como tal precisamos estar prontos para viver aqueles votos que são feitos em casamentos…. Na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza e em todos os dias de minha vida. Todo cristão é igualmente noiva de Cristo, o missionário não é um ser diferenciado. E o fardo do cristão não deve ser demasiadamente pesado, cada um tem seu dever no cumprimento da Grande Comissão; Cristo prometeu aliviar o nosso fardo, mas continuamos debaixo do seu jugo suave. Ele é o Senhor da seara! 


É Deus quem trabalha nos corações e nós só precisamos estar com nosso coração aberto para Ele nos moldar. Antes de alcançarmos vidas, precisamos ser alcançados por Ele e estarmos sensíveis para entender como podemos participar do que Ele está fazendo. Uns vão investir toda a sua vida no Ide, outros vão investir alguns dias, meses, algumas horas, outros vão investir recursos financeiros e todos precisamos investir nossas orações. Somos um único corpo guiado por Cristo, só estamos bem se todos os membros desse corpo estão bem, nenhuma parte do corpo pode andar sozinha, o corpo de Cristo NÃO É um corpo mutilado por isso faz-se necessário a nossa união. (Ainda nos falta uma coisa...) 


Nenhum missionário pode cumprir a Grande Comissão sozinho e nenhum cristão pode servir a Cristo sem participar da Grande Comissão... o Rei está voltando, esse Rei é grandioso e por isso é necessário uma Grande Comissão para anunciá-Lo. Como você tem participado da Grande Comissão? 

Cristo está voltando...



sexta-feira, 30 de junho de 2017

Não, não está tudo normal

 Tornou-se normal ouvir um amigo dizer: 

“Desconsiderem qualquer mensagem ou ligação minha, 

Pois roubaram meu celular.” 

O mundo anda cada vez mais violento, 

A perversidade anda tanta que até as crianças 

Já sabem o que é maldade... 


Cristo morreu em uma cruz para sermos irmãos, 

Mas hoje não existe mais essa tal irmandade. 

Agora é cada um por si, 

Ou você é presa ou é predador, 

Não existe mais isso de amor... 


Não! 

Eu não posso aceitar 

E acreditar que está tudo bem 

Viver nesse mundo desumano. 

Se o pecado está abundando 

Eu continuo acreditando que a graça 

Vai superabundar. 


Se preciso for eu ainda escolho dá mole pro esperto 

Do que dá uma de esperta pegando o que não é meu... 

Eu nunca vou achar normal ver pessoas morrendo 

Por causa da violência que nós mesmos causamos. 

Não! 

Não está tudo normal. 


Não quero ser movida pelo medo, 

Andar desconfiando de todos pela rua 

E muito menos me acostumar com esse lance de “menores infratores”. 

Isso não pode ser normal. (Pode?) 

Se não posso mudar o todo, 

Pelo menos, em mim vou manter acesa a esperança 

Que dias melhores virão! 


O amor está esfriando... 

Mas em mim eu quero mantê-lo sempre aquecido. 

Se há rumores de guerras por toda parte 

Em mim continuará prevalecendo 

A paz que excede todo conhecimento. 

Vou seguir levantando a bandeira da paz! 


Se tudo caminha para o caos 

Eu vou seguir na contramão. 

Aprendi que devo viver pela fé 

E trazer sempre a memória o que me dá esperança. 

Minha esperança está firmada em Deus. 


Eu estou caminhando por aqui, 

Porém meu lar não é aqui. 

Tudo isso um dia passará... 

Mas a esperança que carrego 

Almeja o que está por vir. 

(Cristo em breve voltará e me levará para o meu lar!)

 

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Je crois, I believe, eu acredito.

Je crois, 

I believe, 

Eu acredito. 

Acho que essa se tornou a frase mais frequente em meus pensamentos 

E nessa ordem porque estou tentando pensar em outros idiomas. rs 


Tem momentos que fica tudo meio confuso, 

Não sei direito nem o que pensar, 

Muito menos o que fazer. 

Sinto-me levada pelas circunstâncias 

E me vejo meio perdida diante disso. 

Paro, 

Respiro fundo 

E digo pra mim mesma: “Dieu est en contrôle de tout. 

Je crois.” 


Às vezes sou sabotada pelos meus próprios pensamentos, 

Há um misto de sensações que não consigo controlar... 

Ora me sinto confiante, 

Ora me sinto no meio de incertezas. 

Eu sei Quem estou seguindo, 

Em Quem tenho depositado minha fé. 

Mas viver pela fé, 

Às vezes é nível “hard”. 

Não sei muita coisa do que acontecerá, 

Mas confio em Quem está me guiando. 

God knows what He does. 

I believe. 


O que já vivi até aqui me traz confiança, 

Mas a cada novo passo que dou 

É um novo desafio. 

Eu não controlo nada. 

E isso é tão apavorante 

Como também é reconfortante.   

O que pra muitos pode parecer loucura, 

Pra mim é confiar no poder de Deus! 

Ele é fiel. 

Eu acredito 

E por isso continuo seguindo...   


Deus está no controle, 

Ele sabe o que faz, 

Ele é fiel... 

Je crois, I believe, eu acredito.



"Mesmo sem saber como Tu dirás 

Dentro de mim reinará a Tua paz 

Que me faz saber 

Que esperar em ti 

É sempre caminhar"

(https://www.youtube.com/watch?v=Q9RkoxHPh40)

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Calmaria na tempestade

Eu estava aqui pensando como eu ficaria se estivesse no meio de uma tempestade, mesmo sabendo que Cristo também estava ali. Cristo estava tranquilo, no meio da tempestade, Ele vivia a calmaria... Mas seus discípulos não! (Marcos 4: 37, 38). 

Nós somos como os discípulos, é só o mar se agitar que começamos a nos desesperar... Mesmo sabendo que Cristo continua no controle de tudo! Uma palavra Dele é suficiente para as tempestades recuarem seu furor; mas, talvez, a tempestade não cesse tão rápido assim. (E isso realmente é motivo para não vivermos a “calmaria”?). 

Durante as tempestades que nos alcançam na caminhada, talvez, Cristo queira nos ensinar a descansar, a viver a calmaria apesar das circunstâncias... Ele nos é suficiente! Ele é mais do que bens materiais, Ele é mais do que nossa vida cômoda, Ele é mais do que o ar, o vento, a tempestade. E enquanto nosso foco estiver nas circunstâncias não conseguiremos aproveitar a companhia Dele em nosso barco. Ele está conosco e isso sim é suficiente (e deveria ser o mais importante também). 

Se enquanto eu controlo meu barco e o vento está ao meu favor, eu sigo confiante; contudo eu me desespero ao perder o controle ou diante de circunstâncias desfavoráveis... Isso comprova que ainda ando por vista e não por fé. (“Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos." Hebreus 11: 1). Eu devo seguir confiante não porque tudo está acontecendo conforme eu desejo e sim porque eu sei em Quem tenho depositado minha esperança. 

O evangelho não diz que teremos o controle de tudo, muito pelo contrário... Viver com Cristo é saber que realmente não temos o controle de nada, mas Ele tem! E Ele está conosco TODOS os dias. E ainda assim, de vez em quando, Jesus volta a nos perguntar: "Por que vocês estão com tanto medo? Ainda não têm fé?" (Marcos 4: 40). 

Viver por fé é um desafio diário. Então, que possamos, diariamente, lembrar que quem está conosco no barco é simplesmente Aquele que tem TODO PODER. Por que se apavorar? (“Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês.” 1 Pedro 5: 7)



segunda-feira, 15 de maio de 2017

Dia das mães

Durante anos eu acordava, ia até a cama de minha mãe, deitava em cima dela, a abraçava, a beijava e cochichava em seu ouvido um simples “feliz dia das mães”. Nem sempre tinha presente, nem sempre tinha um belo almoço; mas sempre tinha ela e por isso era feliz o dia das mães...

Nenhum presente que eu comprasse transmitia a importância dela na minha vida, não havia comemorações a sua altura (mesmo que fosse uma festa luxuosa, apesar de eu nunca ter tido dinheiro para isso). O importante mesmo sempre foi a nossa presença (minha mãe, eu e meus irmãos), estarmos juntos, demostrando o amor nos simples gestos, nos detalhes do dia-a-dia e não apenas no dia das mães.

Ela sempre dizia: “Eu só quero de vocês é respeito e obediência...” Ela nunca precisou pedir amor porque sempre existiu amor entre nós; sempre foi recíproco, intenso, forte, real... Quando nascemos corta-se a ligação física existente no cordão umbilical, mas nasce uma ligação ainda mais forte que nem a morte é capaz de romper.

Hoje (14/05/17) meu dia das mães foi diferente. Um pouco após acordar percebi que começava a chuviscar, o dia nascia meio nublado, suas cores não estavam tão vivas. Na verdade, tudo em volta estava meio cinza, mas em minha mente as lembranças com ela estavam vivas e coloridas.

52 dias atrás ela estava aqui, mas hoje não está mais. Até para parabenizar algumas mães hoje pelo seu dia foi difícil; afinal esse dia era pra minha mãe, o sentido desse dia era tê-la aqui comigo...

Apesar do dia hoje ter sido meio vazio sem minha mãe, as lembranças que vêm em minha mente são belas e alegres. Desde que nasci, em todos os dias das mães, eu estava com ela, eu sorria com ela e pra ela. E tudo que vivemos durante esses anos não será esquecido, afinal já está na minha essência. Como uma amiga me disse: “há muito da minha mãe na minha essência...”

No dia das mães sempre tentamos agradar mais nossas mães (porque fazer isso o ano todo é difícil hein... rs) e só por tê-las conosco é motivo de agradecermos. Hoje, mesmo sendo um dia saudoso pra mim, sou grata a Deus pelos anos em que pude estar com ela, tentando ser obediente e respeitando-a... Anos que pude desfrutar do seu amor!

Eu já tinha tentado anos atrás pensar como seria minha vida sem minha mãe; eu sempre cortava esse pensamento pedindo a Deus que, se possível fosse, esse dia nunca chegasse. Hoje esse pensamento o qual eu tanto evitava é real, ela não está mais aqui, Deus a levou...

Era difícil imaginar a vida sem ela e é ainda mais difícil viver sem ela. Nunca estamos prontos para dizer “adeus”, mesmo sabendo que isso faz parte da vida aqui... Adeus significa uma separação física, contudo a minha ligação com minha mãe era muito mais do que física; o laço que nos unia ainda existe e transborda em mim através da saudade. Posso dizer também que "adeus" significa ser no tempo de Deus e sei que no tempo Dele estarei novamente com ela na eternidade!



sábado, 29 de abril de 2017

Ele se foi...

Tenho a impressão que se eu fechar os olhos, 

As coisas vão mudar 

E o tempo vai voltar... 

Ele ainda estará aqui, 

(E ela também). 


Mas abro os olhos e percebo que não 

Ele também se foi... 

Mesmo sabendo que ele estava doente e muito debilitado 

Essa certeza de que ele se foi é estranha. 


Minha mente volta ao passado, 

Lembro-me de quando ele me carregava na cacunda, 

Quando jogávamos dominó, baralho 

E das crises de risos quando fazíamos “guerra de cócegas”. 


É verdade que nem tudo foi sempre bonito, 

Existe uma lacuna de lembranças 

Quando penso na minha pré-adolescência até a vida adulta. 

Sua presença foi meio ausente... 


Na infância ele sempre foi meu herói 

E na adolescência ele me fez perceber que não somos perfeitos. 

Ele estava preso ao vício do álcool 

E isso fez nossos momentos juntos diminuir... 

Foram anos, mas o tempo é relativo. 


Eu prefiro contar a vida pelos momentos que vivemos 

E não pelos que deixamos de viver. 

Por isso os momentos que tenho são da infância 

E os de agora, depois que ele deixou de beber. 

Eu já era adulta, mas ele continuava dizendo que eu era sua criança. 


Sempre que eu chegava tarde 

Ele estava no ponto de ônibus me esperando. 

Ainda posso ouvi-lo falando todo orgulhoso de sua filha engenheira 

Ou reclamando comigo do horário que eu ia chegar em casa. 


Em suas últimas semanas, eu estava com ele. 

Agora ele não mais me carregava, 

Mas eu o ajudava a caminhar. 

Ele não me esperava no ponto de ônibus, 

Mas em um quarto de hospital... 


Ele se foi... 

Mas continua em mim. 

No meu jeito zueiro de ser, há muito dele. 

Essa veia característica que há em minha testa 

Está em mim, mas é dele e não minha. 


Desde de criança 

Eu implicava com o seu cabelo branco, 

Com o seu bigode... 

Ríamos. 

Hoje essas implicâncias não fazem tanto sentido, pois ele se foi. 


Nós caminhamos até a janela do quarto, 

Eu o ajudei a sentar-se um pouco 

E por uns instantes observamos a vista da Lagoa 

Enquanto ele pegava um pouco de sol.  


Última lembrança, 

Último momento, 

Última conversa, 

Últimos risos. 


Minha mãe sempre me dizia que ele chorou quando eu nasci 

E eu chorei com sua partida... 

Agora ele não está mais aqui, 

Mas continua e continuará presente em mim!


sábado, 1 de abril de 2017

Ela se foi...

Ela se foi
E em tudo ainda faz-se presente.
Foi tão rápido e inesperado...

Não há um vazio em mim,
Pois estou repleta de momentos com ela.
Momentos que não foram só de alegria, mas houve muitos sorrisos...
Ela sempre, sempre estava presente.

Se me olho no espelho,
Vejo traços dela.
Essa pinta em meu rosto nunca foi minha
Sempre foi dela.

Em cada canto da casa
Há uma lembrança dela...
Há muito dela em mim e em tudo!
Ela não deixou lugares vazios, mas repletos de lembranças.

Eu não vou mais ouvi-la perguntar
Se já almocei, se comi feijão, se vou demorar pra chegar em casa...
Ela não irá mais me levar ao portão
Eu não a pedirei a "bença" e nem a beijarei mais antes de sair, 
Antes de dormir, diariamente.

Não vou mais vê-la
Sorrindo, cantarolando, triste, preocupada, contente...
Não a verei mais,
Não aqui, nesse mundo efêmero.

Deus a levou.
E Ele fez do jeito que ela desejava,
Sem dor, de forma rápida e em um dia tranquilo.
Ela se foi, mas sempre será lembrada.  

Sei que Deus está no controle de tudo,
Sei que um dia a encontrarei na eternidade.
Mas hoje, amanhã, depois...
Minhas lembranças continuarão carregadas de saudades dela. 


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Quando a vítima dá mole e esperto é o ladrão.

O ato de andar em uma passarela lotada de gente visto por mim como algo normal não o é... Afinal, quando você anda desligada está “dando mole”, quando você não imagina que as pessoas em sua volta podem ser um ladrão em potencial você está “dando mole”, quando você carrega sua mochila nas costas você também está “dando mole”.

O cara estava andando bem próximo a mim, eu o percebi até porque ele pisou no meu chinelo. Na primeira vez, eu apenas o achei mal educado por não pedir “desculpa” e continuei andando rápido, como de costume. Novamente outra pisada em meu chinelo, estranhei, mas pensei: “não vale apena se estressar”. Já tinha subido a passarela e ele ainda estava por perto, pisou novamente em meu chinelo e logo depois parou fingindo olhar o preço de uma mochila...

Imediatamente eu notei que minha mochila estava aberta, conferir e percebi que o celular não estava mais lá. Eu poderia ter virado para trás naquele momento, afinal o cara ainda estava por perto; eu poderia ter gritado “ladrão” e esperar que alguém desse um corretivo naquele bandido; eu poderia ter feito algo para recuperar meu celular...   Mas eu nada fiz. Fechei a mochila, com a certeza que não tinha mais meu celular, e continuei andado.

“Tu é muito lerda mesmo, Barbara.” “Deu molinho.” “Mas se você percebeu porque não fez nada?”

Sei lá, eu devo ser uma boba mesmo... Mas a primeira coisa que pensei foi: “Era apenas um celular.” Acho que eu faço jus ao significado do meu nome, sou estranha mesmo e certamente sou estrangeira nesse mundo.

De todas as reações que eu poderia ter no fim eu, provavelmente, estaria agora com meu celular. Mas o que veio na minha mente naquele momento foi uma cena de violência... A população anda se achando “justiceira”, afinal quem rouba merece apanhar e eu não consigo me imaginar sendo pivô de atos assim. Mas, mas e mas... Eu nunca vou achar que violência se paga com violência!

Há quem estranhe eu ter ficado tranquila, ter contado essa história rindo e pouco tempo depois estava eu passando novamente pela mesma passarela. A verdade é que eu não acho normal andarmos com medo pelas ruas, desconfiarmos de todo mundo, sermos agressivos... Eu não pretendo ser e nem agir assim. Eu não tenho culpa quando alguém furta meu celular!

Eu tenho visto a violência aumentando de forma assustadora, mas o que me assusta mesmo é que estamos achando isso normal e por isso temos criado “mecanismos de defesa”. Por exemplo, hoje quando um assaltante é identificado na rua, os trabalhadores, “pessoas do bem” facilmente param para “dar um corretivo” enquanto esperam a polícia (isso quando chamam a polícia). Hoje se há uma oportunidade de “se dar bem”, as “pessoas do bem” facilmente se corrompem... Isso realmente me assusta!

Estamos vivendo uma inversão de valores e a vida está cada vez mais desvalorizada. A nossa justiça é corrompida, o nosso senso de justiça está carregado de experiências ruins e por isso precisamos “jogar” isso em alguém.

Quando cheguei em casa estava realmente pensando “dei mole”, mas depois pensei melhor. A culpa não foi minha, a culpa não é da vítima. Errado é o ladrão! Pensei em tudo que tinha acontecido... E enquanto alguns lamentavam por eu ter perdido o celular e lamentei ao pensar que muitos estão caminhando cada vez mais longe de Deus e cada vez mais perto de uma morte eterna...  Eu só perdi meu celular.


Fiquei chateada, perdi muitos contatos, meus aplicativos, vou ficar um tempo sem ficar até tarde conversando e sem ler a noite pelo celular... Mas foi apenas um celular!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

2016 -> 2017 - Retrospectiva

Lembro que quando 2016 iniciou eu ainda estava no período de 2015.2, não conseguia nem relaxar direito. Comecei meu primeiro dia pensando nas matérias que deveria estar estudando e resolvi começar o ano estudando; exatamente isso, no 1° dia do ano, quando minha família foi dormir, eu liguei o notebook e assim foi minha primeira madrugada de estudo em 2016. Eu estava cansada, queria que 2015.2 terminasse logo, queria que 2016.1 começasse... Queria me formar! Estes eram os pensamentos que mais circulavam em minha mente no início de 2016.
No final de dezembro de 2015 eu resolvi fazer minha inscrição para um projeto missionário do Alfa e Ômega ELO, não tinha a menor ideia de como seria, não criei muitas expectativas; apenas tinha me inscrito porque Deus estava me direcionando para isso e de certa forma eu queria ir junto com uma amiga para motivá-la também. Então, quando 2016 começou eu ainda não estava pensando muito nesse projeto e nem no levantamento dos recursos financeiros necessários.
Quando janeiro de 2016 começou, com ele chegaram também as últimas provas e apresentações de 2015.2... Percebi como eu estava cansada, esgotada, saturada mesmo. Meu aproveitamento não foi dos melhores, muito pelo contrário! Fiquei chateada comigo mesmo, mas pra minha sorte Deus é bom e nos conhece melhor do que nós mesmos.
Aquele projeto missionário que eu nem sabia direito porque Deus estava me direcionando a ir, aconteceu em fevereiro de 2016; então, pouco depois do período de 2015.2 findar, eu estava viajando rumo a Jequié, na Bahia, onde aconteceu esse projeto. Essa viagem veio como uma válvula de escape, um alívio de toda aquela pressão que eu havia colocado em mim mesma... Em Jequié Deus me mostrou claramente como eu tendo a ficar presa em minhas preocupações, nas coisas pequenas e efêmeras.
Durante os dez dias em que estive em Jequié, diariamente, eu perguntava para Deus o porquê de estar ali; sabia que não era apenas para eu descansar um pouco... Mas Deus nos convida a andar com Ele pela fé, a ir, e enquanto vamos Ele vai nos mostrando a Sua vontade, sem pressa, no tempo Dele. No último dia na UESB, universidade na qual o projeto fora realizado, posso dizer que a “ficha caiu”; entendi o significado de estar ali e a importância que aqueles dias teriam na minha vida. Deus realmente é incrível!
Voltando de Jequié, cheguei ao Rio e o período de 2016.1 estava perto de começar; estava muito feliz e meio preocupada... Seria meu último período na UERJ. E pouco tempo depois de 2016.1 começar a UERJ entrou em mais uma greve, que durou mais de 5 meses! Minha colação de grau (simbólica) já estava agendada e em março foi realizada, foi um momento ímpar, daqueles momentos em que passa um filme na nossa mente e eu estava muito feliz por tudo que tinha vivido até ali, apesar dos pesares.
Durante algum tempo, mesmo com a greve, eu continuei tendo aula; mas chegou um momento que não deu mesmo para continuar, a UERJ estava insalubre e perigosa. E Deus, novamente, mostrou que Ele pode transformar momentos ruins em bons... Fizemos um projeto evangelístico na UERJ durante a greve; na verdade, só nos juntamos ao que Deus já estava fazendo. Foi uma linda semana, tivemos momentos de edificação, comunhão, compartilhamos Cristo e até hoje eu vejo frutos desse projeto.
O projeto de greve terminou, mas a greve ainda continuou por um tempo… Conforme os meses iam passando eu me recordava, e com certo saudosismo, dos momentos e pessoas com as quais havia estado diariamente durante o projeto na UERJ e lembrava ainda das pessoas que havia conhecido em Jequié. Senti-me grata por isso, pois nesses detalhes percebi o cuidado de Deus e como Ele estava me presenteando com belos momentos e belas amizades. Acho que esses muitos meses de greve me deixaram mais melancólica. rs
Em julho aconteceu o Encontro de Universitários Cristãos, EUC. E “euc não perdi”! Dei um pulo em volta Redonda, onde o EUC aconteceu, e lá estava bem frio, vivendo no Rio nem sei direito o que é isso. Durante os dias do EUC tive bons momentos de comunhão e Deus confirmou em meu coração o ministério para o qual Ele tem me chamado… e olha que ainda o estou descobrindo, aos poucos, de passo em passo, no tempo Dele.
Morando no Rio acho que não tem como falar da retrospectiva de 2016 sem mencionar as olimpíadas. Havia um sentimento misto em mim, estava feliz em ver minha cidade sediando um evento tão importante, ficando ainda mais bela para receber os visitantes. Mas quando me lembrava dos terceirizados, dos professores, de como estavam (e ainda estão) os hospitais, das greves e ocupações nas escolas e universidades; não achava muito justo me alegrar. Parecia que estavam apenas maquiando meu Estado e depois que as olimpíadas acabassem, iriam tirar essa maquiagem e as imperfeições continuariam…
Mas, apesar dos contras, preferi olhar mais para os pós. Tínhamos brasileiros em muitas modalidades, algumas que eu nem sabia que existiam… Não poderia ficar apática a isso, precisava vibrar, torcer, comemorar. Tivemos conquistas, superações, vitórias marcantes. E não digo isso só pelas olimpíadas até porque a paraolimpíada foi uma verdadeira festa, um show! Não posso dizer que aproveitei ao máximo esse período único no meu Estado até porque logo, logo eu voltaria a ter aula e precisa me concentrar nisso; contudo fiquei feliz em poder participar um pouco deste momento.
Um pouco antes de começar as olímpiadas a greve acabou e logo depois começou um recesso devido as olímpiadas (Vai entender?)... No final de agosto eu voltei para aquela adrenalina básica de um estudante universitário, não vou me prender aqui falando sobre a conclusão em si desse último período, pois já o fiz em um texto aqui publicado anteriormente (vide: Não foi de repente, mas me formei). Mas vale apena ressaltar que aquele período de 2016.1 foi um longo período e só terminou mesmo no final de dezembro, pertinho do Natal. E desta vez, depois de muitos anos, eu não terminei meu ano preocupada com as aulas que começariam em janeiro... Não fiquei estudando na madrugada, eu simplesmente dormi!
2016 foi um grande ano, com momentos bons e ruins, e, principalmente, foi um ano de crescimento e aprendizado. Estou muito grata a Deus por tudo que pude viver esse ano que se findou, por tudo que eu nem havia planejado, pelas pessoas que eu conheci, pelos amigos que eu fiz. Esse ano foi massa! (Hahahaha)
 Estou colocando aqui dois “prints” da tela do meu celular, um do primeiro dia de 2016 e outro do primeiro dia de 2017. Em 2016 meu desejo era me formar, por isso no meu protetor de tela eu estava com a blusa da formatura. Em 2017 já estou formada, essa foto foi no dia da minha colação, e meu desejo é estar mais perto da minha família e dos meus amigos este ano.

De tudo que tenho vivido só consigo imaginar que 2017 será surpreendente! Deus tem cuidado de mim nos mínimos detalhes e tem me mostrado que os planos Dele são mais altos do que o meu. E eu quero viver os planos Dele pra mim; sei que serão desafiadores, mas também sei que serão incríveis e gratificantes.
2017 já começou... E aí o que farás de novo neste ano novo?
Feliz Ano Novo!

Caso queira saber mais sobre o projeto Jequié você pode ler esse texto: Jequié - Diário de bordo simplificado e sobre o projeto de greve na UERJ nesses versos (Projeto na greve) eu falo um pouco do que vivemos.